Moagem de cana no Centro-Sul se recupera e impulsiona açúcar, apesar de foco em etanol

A moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul do Brasil somou 43,3 milhões de toneladas na segunda quinzena de agosto, aumento de cerca de 10 milhões de toneladas na comparação com a primeira parte do mês passado, quando chuvas prejudicaram os trabalhos, impulsionando a produção de etanol e açúcar.

A moagem ainda cresceu quase 11% na comparação com a segunda quinzena de agosto de 2017, facilitada pelo tempo mais seco, que em meses anteriores afetou o desenvolvimento dos canaviais, resultando agora em menor produtividade agrícola, afirmou a União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) em boletim.

O crescimento da moagem permitiu uma produção de açúcar do centro-sul na segunda quinzena de agosto expressiva, de 2,371 milhões de toneladas, ante 1,715 milhão de toneladas na quinzena anterior, em meio a uma maior concentração de açúcares na cana.

A forte atividade ainda evitou uma redução maior na fabricação do adoçante na comparação com o mesmo período de 2017, quando usinas destinavam uma maior parcela de cana para o açúcar. Em relação a 2017, a queda na produção de açúcar foi de quase 7%.

Contando com uma forte competitividade frente à gasolina no mercado interno, o etanol continua registrando saltos de produção e recordes de vendas.

O aumento na fabricação do biocombustível ante a mesma época do ano passado foi de 37%, para 2,45 bilhões de litros na segunda parte de agosto, à medida que o mix de cana para o produto foi de 62,36%.

Desde o início da safra 2018/2019 até 1º de setembro, a quantidade fabricada de açúcar totalizou 18,84 milhões de toneladas, recuo de 19,28% ante o mesmo período de 2017. Em sentido inverso, a produção de etanol acumula alta de 33,51%, alcançando 20,50 bilhões de litros de etanol – 6,35 bilhões de litros de etanol anidro (misturado à gasolina) e 14,14 bilhões de litros de etanol hidratado (concorrente da gasolina).

A Unica ainda destacou em nota uma quebra na produtividade agrícola pela seca, o que deve antecipar a parada de usinas.

No acumulado do atual ciclo até 1º de setembro, essa produtividade atinge 78,44 toneladas de cana-de-açúcar por hectare, frente a 81,20 toneladas por hectare registradas até a mesma data da safra passada.

"Essa quebra irá se intensificar nas próximas quinzenas, na medida em que a colheita avançar para áreas mais afetadas pela estiagem e com lavouras mais velhas e, portanto, com produtividade naturalmente menor", disse em nota o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues.

Segundo levantamento preliminar feito pela associação, 20% das unidades amostradas até o momento declararam que devem antecipar o fim da safra 2018/2019 em 1 a 3 meses.

"A longa estiagem empregou um ritmo acelerado de colheita até o momento, que aliado à expectativa de queda contínua da produtividade, se traduzirá em menor moagem e em uma longa entressafra", comentou o diretor.

A seca, contudo, colabora para a concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de matéria-prima, que atingiu 152,66 kg na segunda quinzena de agosto, 7,1 kg acima do valor apurado em igual período do ano passado. (Matéria continua)

(Fonte: G1, reproduzido do Reuters, 12/09/2018, https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2018/09/12/moagem-de-cana-no-centro-sul-se-recupera-e-impulsiona-acucar-apesar-de-foco-em-etanol.ghtml)

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