Melhoram perspectivas para a cogeração

O ritmo de expansão da capacidade de cogeração de energia a partir do bagaço da cana nunca esteve tão fraco desde que o segmento começou a investir na atividade com mais força, no início da década passada. No entanto, os últimos leilões de geração já apresentaram um cenário mais previsível e rentável, o que poderá estimular uma retomada dos aportes, de acordo com analistas e executivos.

Neste ano, a fonte “biomassa” (que também inclui outras matérias-primas, embora sejam menos expressivas que a cana) acrescentará apenas 58 megawatts (MW) de potência à matriz energética do país, segundo levantamento da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) a partir de dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Será o menor incremento de capacidade pelo menos desde 2002.

De todo o crescimento de capacidade de geração de energia elétrica no país neste ano, a biomassa responderá por apenas 1%.

Essa quase estagnação da cogeração é reflexo da falta de incentivos nos últimos quatro a seis anos, quando praticamente não houve leilões direcionados para a fonte biomassa, afirma Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da Unica. Segundo ele, os leilões realizados no período tinham preços “erráticos” e “declinantes”, sem uma “política de previsibilidade” para a realização dos certames.

Mais recentemente, porém, o preço da energia no mercado livre passou a oferecer uma melhor remuneração, colaborando inclusive para fortalecer os balanços das usinas. Mas ainda não é suficiente para incentivar aportes expressivos em expansão de capacidade. Segundo Souza, a contratação de energia no ambiente regulado é a forma mais segura de incentivar investimentos, já que os contratos de longo prazo servem como garantia para tomar financiamentos no BNDES. Já o mercado livre não oferece essa garantia.

Os últimos leilões foram um alento para as usinas. No leilão A-6 realizado no ano passado, que negociou contratos de energia de cinco novos empreendimentos com início de fornecimento em 2023, os projetos de cogeração a partir de bagaço de cana terão uma receita fixa de R$ 237,28 por megawatt-hora (MWh), já somado o Custo Econômico de Curto Prazo (CEC), de acordo com a consultoria FG/A.  (Matéria Continua)

Fonte: Fonte: Valor Econômico, 08/05/2018, reproduzido pela Secretaria de Energia e Mineração de SP, http://www.energia.sp.gov.br/2018/05/melhoram-perspectivas-para-cogeracao/)

 

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